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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Santiago (Parte 1)

Esta foi nossa segunda viagem a Santiago, a primeira foi em Janeiro do ano passado. Acho que nem escrevi sobre essa viagem aqui, prometi, mas nunca escrevi. Então no relato daqui incluo as coisas que fizemos no ano passado e as coisas que fizemos este ano, a verdade é que foram viagens bem diferentes: no ano passado fomos com meus sogros e tínhamos só o Guilherme. Desta vez, com Felipe, o ritmo foi outro, além do mais fomos de carro e por isso tivemos uma mobilidade diferente.
Santiago tem estimados 6 milhões de habitantes e o que eu achava que eram bairros  na verdade são comunas, ou seja, na hora de procurar um endereço tem que saber em que comuna fica além de saber se é rua, avenida, passagem ... os nomes se repetem muito e o transito é confuso. Quando chegamos de Valparaíso não nos ligamos que íamos ficar em Providencia, colocamos simplesmente Santiago e o GPS nos mandou para Las Condes em plena hora do Rush e nos custou algumas horas e no final decidimos ir para um shopping (na verdade passamos em frente de um) e esperar o transito melhorar.
Da primeira vez ficamos hospedados no Centro mesmo, perto do Cerro Santa Lucia e das principais atrações turísticas da cidade. O roteiro montado foi bem tradicional e pensando também nas limitações do meu sogro para se deslocar a pé ( foi a última viagem do Guilherme com o carrinho) e não incluiu muito a parte gastronômica. Tinha algo de compras para agradar a sogra e a mim também, que eu adoro visitar o comercio em outros lugares, inclusive o mercado e o supermercado!
O Cerro Santa Lucia fica no centro da cidade e é um lugar muito bonito para um passeio, muitos dizem ter a vista mais bonita de Santiago (eu gostei mais da vista do Cerro San Cristobal). Durante muito tempo o lugar esteve meio que abandonado e segundo minha mãe tinha aquele cheirinho que ficava na Beira Mar depois do Fortal. Hoje em dia o acesso é controlado e os visitantes tem que se identificar a um dos vários guardas que estão nas entradas do parque. Existe um elevador para subir, mas ele poupa apenas a menor parte da subida, para chegar ao topo é preciso disposição. Apenas João e eu subimos. Por sorte Guilherme desistiu bem no começo e ficou com os avós, não sei se teria aguentado a escalada. Na área do Cerro há algumas construções, eu destaco a Terraza Neptuno que fica ao lado da entrada de uma venda de artesanato que tem lembrancinhas interessantes.



O Palácio La Moneda é a sede do governo chileno e está aberto a visitação, nos não entramos não lembro se pela hora ou por que os senhores estavam de bermuda. A visita guiada pode ser agendada pelo site e parace bem interessante. Outra das atrações do La Moneda é a troca da guarda, o calendário está disponível aqui. Em frente ao palácio está a Praça da Cidadania e lá há uma bandeira gigante do Chile que foi hasteada ali em comemoração ao Bicentenario, segundo o taxista se trata da mais grande bandeira das Américas, com seus 486 m². Para terem uma noção a bandeira que esta na praça dos Três Poderes em Brasília tem 280m². Eu acho bem possível que seja verdade. Em qualquer caso ela é se impõe na paisagem.



Museu Interativo Mirador. Adultos e criança gostaram e se divertiram no lugar, na verdade o problema foi sair de lá. É bem menor do que o Nemo em Amsterdam, por exemplo, mas tem uma seleção de atrações bem interessantes e que fazem com que todos entrem na brincadeira. A bolhas de sabão gigantes são sempre um sucesso, mas tem outras atrações interessantes inclusive oficinas para crianças de acordo com a idade. Quando fomos, a oficina para a idade do Guilherme era a de construção e ele gostou tanto que deu um show para fazer de novo. O museu está bem afastado do centro da cidade e a melhor opção é ir de metro e na estação pegar um taxi para o local.


Mercado Municipal de Santiago, a parte mais antiga do mercado hoje se converteu em uma praça de alimentação com algumas bancas que vendem coisas tipicas e souvenires, no melhor estilo "pra turista". Nas duas laterais ainda funciona o mercado. O assedio dos garçons é ENORME e muito gente usa a tática de comer no restaurante onde o garçom não "caçou"  o cliente. Da primeira vez fomos em plena alta temporada e entramos no primeiro restaurante. Desta vez fomos na sexta-feira santa (nem tava lotado!) e demos uma boa olhada antes de escolher o lugar e acabamos voltando no mesmo em que comemos da primeira vez principalmente por que sabíamos que eram bem eficientes na hora de arrumar a mesa para os clientes e não decepcionou, em menos de 15 minutos estávamos sentados e o pedido havia sido feito.


O mercado fica bem perto da Catedral, no Museu de Santiago (Casa Colorada), da Plaza de armas e nessa região tem várias lojas, inclusive as três grandes lojas de departamento do Chile (Falabela, Ripley e Paris). Se for bater perna no centro de Santiago ( e em muitas outras regiões) é bom manter a atenção redobrada, batedores de carteira e oportunistas que puxam colares e brincos (ai!) parecem atuar nessa região.

Depois eu volto com mais de Santiago.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Viña del Mar

Quando planejemos nossa ida ao Chile para a Semana Santa queríamos ficar uns dias na praia, mesmo sabendo que provavelmente não ia rolar sol muito menos banho de mar (a água é gelada até no verão, que dirá no outono), mas o ar é sempre tão bom e relaxante. Escolhemos ficar hospedados em Valparaíso por que lá o carro podia ficar no estacionamento e nós nos deslocaríamos a pé pela parte alta da cidade e daria para ir de carro para Viña quando fosse o caso. O contrario seria mais complicado, já que quase não há onde estacionar na parte alta de Valparaíso.
Um dos dias combinamos de nos encontrar com nossos amigos chilenos (que moram aqui) e estavam em Viña aproveitando o feriado. Dá pra ver que as crianças se divertiram na praia e para nós foi um momento de conversar despreocupadamente. Só não molhamos os pés no Pacífico para não dar ideias para as crianças.




Uma coisa que eu gostei de Viña é que a Orla está repleta de parquinhos para as crianças, como estávamos na cidade num dia de semana normal, não havia outras crianças, mas nas férias sei que estão lotados. Sempre perto dos parques tem aluguel de bicicletas, triciclos, tem daquelas bicicletas em que dois pedalam lado a lado. A sua maneira Viña me lembrou Balneário Camboriú ou o Guarujá. Este parquinho da foto fica vizinho ao Casino e dois dos tobogãs estavam quebrados, fora isso tudo está em boas condições e limpo (leia-se nada de coco na areia)


Uma das atrações de Viña é o relógio de flores  parada obrigatória para fotos, mas nos dias em que estivemos lá o relógio estava "fechado", estavam trocando as flores e quem sabe reparando o mecanismo. Ficou para a próxima visita.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Valparaíso

Para a maioria dos brasileiros que visita o Chile, a região de Valparaíso e Viña é um passeio do tipo bate e volta, poucos ficam mais de um dia na região e os que ficam em geral é para visitar as bodegas  que ficam na região do Vale Casablanca como a Concha y Toro. Entretanto os morros de Valparaíso e a orla de Viña tem muito o que mostrar para quem as visita. As duas cidades são continuas e a não ser por uma placa, não é possível dizer onde começa uma e termina a outra. Valparaíso é a segunda província mais populosa do Chile e é onde está o porto mais importante do país, as marcas de ser uma cidade portuária estão por toda parte e se a ideia é curtir uma praia melhor ficar por Viña.

O que Valparaíso oferece de melhor está no topo de seus morros, uma mistura de Pelourinho com Caminito. Boa parte do seu casario ainda está revestido de chapas de zinco e pintado com cores fortes, vibrantes. Ruas estreitas escondem um comercio com ares de vanguarda e restaurantes étnicos, fusion e de comida tipica chilena. Hoteis, Pousadas, Bed&Breakfast, Albergues, todos com muito charme e para todos os bolsos e gostos.

 
 
 

No momento, os dois morros mais turísticos (Concepcion e Alegre) estão passando por obras e várias ruas estão interditadas para a troca da tubulação de água e esgoto (e na minha opinião deveriam aproveitar para esconder toda a fiação).


A cidade se divide em alto e baixo que estão conectadas por elevadores, que não são bem verticais, são mais parecidos com os funiculares. Muitos ainda estão em perfeito funcionamento e cada trecho custa 100 pesos chilenos. O elevador Reina Victoria, que é o que tomamos, data de 1902. Na estação que fica no alto há tobogã gigante e os meninos aproveitaram!



A parte baixa da cidade não é particularmente interessante, é onde está o comercio mais "moderno", as lojas de departamentos, supermercados, bancos e tal. Vale a visita para fazer o contraponto.


Talvez a atração mais visitada de Valparaíso seja "La Sebastiana", a última das três casas construídas por Pablo Neruda. Os ingressos são limitados e vale a pena reservar ou pelo menos telefonar para saber como está a lotação. A visita não é guiada, ao entrar o visitante recebe um áudio guia (está disponível em português) e com um mapa faz a visita que demora uns 20-30 minutos. O passeio é bem interessante para crianças também já que Neruda era um colecionar compulsivo e há vários objetos curiosos espalhados pela casa. Um aspecto que está presente em todas as casas do poeta é a inspiração pelo mar, pelos navios. A foto abaixo mostra a vista da janela do seu quarto em Valapraíso, em dias claros deve ser de tirar o folego.


O jardim da casa é bem amplo, não sei se Neruda já o tinha assim, mas torna o lugar agradável e pelo menos Guilherme curtiu "desbravar" o lugar e encontrou um cantinho para refletir.

Depois eu volto para falar um pouco sobre Viña del Mar.


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Chile

A semana que passou aqui na Argentina foi de feriadão, afinal foram apenas dois dias úteis. Assim, carregamos o carro e rumamos ao Pacífico e a terras trans-andinas. Confesso que a ideia de passar mais de quatro horas com o Felipe no carro me preocupou um pouco, a estrada está em excelente estado, mas as paradas são distantes umas das outras e parar no escuro estava fora de cogitação. O outro problema era a fronteira, dependendo do dia e da hora é possível ficar quatro, cinco horas na fila esperando, se isso é chato para os adultos, imagina para as crianças. Assim escolhemos horários que não são de grande movimento e saímos de casa as quatro da matina, passamos na casa de amigos e seguimos as duas famílias rumo ao Chile, ainda estava escuro quando cruzamos a fronteira, demoramos uma hora para sair da Argentina e entrar no Chile, e já era dia quando enfrentamos os caracóis.



A estrada tanto do lado argentino quanto do lado chileno estão bem conservadas, a diferença é que do lado de lá as estradas são largas, duas, três faixas boa parte do caminho (em muitos trechos o limite de velocidade é de 120km/h), mas isso tem um preço: o dos pedágios, em média seis reais. O que falta mesmo são lugares para parar, xixi é no mato mesmo e no nosso caso, trocar fraldas (só as "toxicas") e amamentar no acostamento, mas de noite achamos melhor ter paciência, caprichar na pomada e torcer para que a água engane até o melhor momento de parar. A ida foi mais tranquila por que como saímos de madrugada Felipe saiu de casa dormindo, acordou uma vez num posto e depois já era dia e muito mais tranquila a parada. Já na volta... demorou 10 minutos para chegar um lugar onde parar, não foi fácil para ninguém.
Esta não foi a primeira vez que fizemos uma viagem de carro com criança, mas foi a primeira com um bebê e acho que deu tudo certo. Das viagens anteriores o maior aprendizado foi de que se seu filho enjoa, mesmo que tome remédio, nada de ver DVD, joguinhos de computador ou qualquer outra coisa do gênero. No caso do Felipe o pediatra orientou a não dar um remédio para enjoo e sim um para ele não vomitasse, só tomou na ida e pensando bem deveria ter dado na volta já que nas duas mamadas ele "golfou" coisa que não fazia tinha um tempo. Depois disso: sempre levar um rolo de papel higiênico, água fria, e pouca comida, a não ser que você sabia que pode demorar além da conta por exemplo numa fronteira, neste caso lembre-se de que algumas comidas vão ter que ir pro lixo por conta das regras fitossanitárias. Uma curiosidade: no Chile frango cozido só entra se for desossado. Por sinal o Chile é MUITO exigente quanto ao controle.

 Essa foi a fila que encontramos quando chegamos para fazer o controle de fronteira, demorou pouco mais de uma hora e meia para sairmos. Uma amiga contou depois que em dezembro chegou a ficar 7 horas esperando, a maior parte do tempo presa num túnel, com três crianças no carro sem poder sair nem pro banheiro e claro que o estoque de comida e água acabou. E como podem ver na foto no lugar não tem NADA.
Em breve nossa primeira parada no Chile, que na verdade foi dupla: Valparaíso e Viña del Mar.