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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Palmada? Não!

A revista Crescer trouxe uma matéria bem interessante sobre a Palmada. O assunto não é novidade por aqui, mas não abordo o tema nem de longe com a vontade que deveria. A matéria, reproduzida a seguir, segue bem a minha linha de pensamento e acho que merece ser lida, mesmo por quem acha que existe a "Palmada Educativa".

Bater não educa

Não dá para banalizar a “palmadinha” como recurso de educação. Crescer ouviu pais e especialistas para traçar essa linha que separa o que pode-se imaginar como educativo da real agressão: é tão tênue que praticamente inexiste

Por Ricardo Ferraz

Albertina (nome fictício) perdeu as estribeiras quando viu a filha de 3 anos brigar com uma prima da mesma idade. Sem tentar conciliar o conflito, agarrou a criança pelo braço e saiu arrastando-a pela casa. O castigo aumentou quando Albertina percebeu que a menina havia feito xixi na calça. Passou então a dar palmadas nas pernas dela e a perguntar aos berros: “Por que você fez isso?”. Só parou quando a filha respondeu, apavorada: “Eu estava com medo, mamãe!”. A resposta desarmou a agressividade da mãe e transformou-a em dor, culpa, remorso e... raiva. Desta vez, de si própria. “Virei um monstro de quem minha filha tem medo. Sou o bicho-papão dela”, conta a auxiliar administrativa.

A atitude de Albertina é mais comum do que se imagina. Muitos pais que reagem a insatisfações dos filhos com castigo físico se vêem freqüentemente diante de um dilema: qual o limite ao tentar impor limites?

Uma enquete feita com os nossos leitores no site da CRESCER assustou a todos por aqui. Para a pergunta “você já bateu no seu filho?”, um quarto das 2.241 pessoas que participaram (até o fechamento desta edição) escolheram a alternativa “sim, acho que isso educa”. É um pensamento ainda mais forte do que a porcentagem maior da pesquisa, os 43,2% que disseram “sim, porque de vez em quando perco a cabeça”. No restante, 14,6% negaram, mas deixaram aberta a possibilidade dizendo “não, mas se precisar faço isso” e somente 18,1% disseram que não acreditam nisso como forma de educação.
Ainda que o levantamento não tenha caráter científico, há o que pensar. Ao adotar a palmada, os pais passam a idéia de que a violência física é a maneira de lidar com conflitos e frustrações. Ou seja: você tem de encontrar outras formas de impor limites. Palmada é uma agressão. “Quando o adulto bate no filho, ele está reconhecendo que ficou impotente diante da atitude da criança. Mostra claramente que perdeu o controle de si mesmo e a agressão passa a ser a única maneira de manter o status da autoridade”, diz Célia Terra, professora de Psicoterapia Infantil da Psicologia da PUC-SP. Testar os limites dos pais é um comportamento típico que faz parte do aprendizado da convivência em família. Embora não seja fácil, os adultos devem lidar com as manhas com carinho. “Pais devem proteger os filhos. Não só do mundo exterior, mas das emoções que eles ainda não são capazes de controlar”, diz Célia Terra.

Pai é para proteger

Um levantamento, realizado desde 1996 pelo Laboratório de Estudos da Criança do Instituto de Psicologia da USP (Lacri), demonstra que, muitas vezes, o que algumas pessoas entendem como educação ganha o caráter de abuso. O instituto mapeou as ocorrências de violência física contra crianças e adolescentes em órgãos como Delegacias da Mulher, Conselhos Tutelares, hospitais e escolas. Em 2007, foram cerca de 3 mil. Os coordenadores do estudo acreditam que os números devem ser ainda maiores, já que grande parte das agressões se esconde sob o manto da vida familiar e não é notificada.

Infelizmente, bater nos filhos é uma questão cultural com raízes históricas no Brasil. “Essa prática foi aqui introduzida pelos colonizadores, especialmente pelos padres jesuítas”, explica Viviane Azevedo Guerra, pesquisadora do Lacri e co-autora dos livros Palmada já Era e Mania de Bater. Para ela, a chamada “palmadinha educativa” não existe. E um processo de agressão só tende a piorar. “Sabe-se pelos estudos que a aplicação das palmadas pode ir se intensificando ao longo do tempo, chegando até uma violência mais severa. Toda ação que causa dor física em uma criança representa um só continuum de violência”, diz.

Essa espécie de espiral da agressão traz graves conseqüências. Nos casos piores, há dificuldade de relacionamento com adultos e colegas, problemas de aprendizado na escola e até comprometimento físico. A criança vítima dessa prática pode vir a se tornar uma agressora no futuro. “Embora essa situação só exista se, quando criança, ela não teve no lar um ‘amigo qualificado’, ou seja, alguém que a entendesse e tentasse protegê-la desse tipo de violência”, diz Viviane Guerra.


É justamente para tentar mudar esse quadro que alguns especialistas defendem que o Brasil seja um dos países a seguir o exemplo dado pela Suécia em 1979: abolir a palmada por força de lei. Outros 19 países fizeram o mesmo – inclusive nosso antigo colonizador, Portugal. Um projeto de lei nesse sentido aguarda votação no plenário da Câmara dos Deputados desde 2005, depois de tramitar com sucesso por todas as comissões da Casa. O projeto não prevê punições para pais que adotarem o castigo físico, mas faz alterações no Código Civil e no Estatuto da Criança e do Adolescente - o que não é ideal, mas pode dar o devido peso para o assunto e fazer as famílias repensarem suas atitudes. “Atualmente, o Estado Brasileiro dá permissão para que os pais castiguem os filhos fisicamente”, diz a deputada Maria do Rosário (PT/RS), autora do projeto. “O que nós queremos é um estatuto que coloque a criança em pé de igualdade com os adultos.”

Proibir por lei ou conscientizar?
Há quem duvide da efetividade da medida. “O mais importante é conscientizar as famílias de que elas têm de acolher os filhos. Nesse sentido, ampliar a rede de proteção para as crianças, garantindo o acesso à informação aos pais, é muito mais importante”, afirma Marta de Toledo, promotora da Infância e da Juventude do Ministério Público paulista.

Acolher. Se o papel dos pais é proteger seus filhos, amá-los independe dos momentos de crise. Sim, eles nos tiram do sério. E, sim, na hora da bronca, parece que deixamos as crianças infelizes. Mas colocar os limites e se controlar nessas situações está incluso no pacote “educar”.

Na hora do seu limite
Algumas dicas podem ajudar na hora de contornar situações capazes de despertar os instintos mais primitivos. Veja o que dizem os especialistas ouvidos por CRESCER:
Compreensão: Crianças aprendem as regras de acordo com o convívio. Testar limites faz parte desse aprendizado e os pais precisam ter uma certa flexibilidade na hora de reprimir os comportamentos indesejados. Autoridade não é autoritarismo.

Clareza nos limites: Não se deve reprimir uma atitude e, logo em seguida, permiti-la.Muitos pais esticam os limites até eles se tornarem insuportáveis. Só se dão conta disso quando batem na criança.

Bom humor: Transformar a manha em brincadeira pode ser uma boa saída. Logo a criança deixa aquele comportamento de lado.

Conter a agressividade com afeto: Abraçar o filho nos ataques de fúria pode ajudá-lo a se acalmar. Em seguida, os pais devem ser firmes e dizer em voz baixa que aquele comportamento é inadequado.

Procurar ajuda: Se os momentos em família estão virando uma guerra campal, um psicólogo pode ajudar a torná-los mais harmoniosos.

Cinco razões para não bater nos filhos

• Pais que adotam a palmada passam a mensagem de que os problemas podem ser resolvidos na base da força física.

• Se a criança já não responde da mesma forma às palmadas, castigos físicos cada vez mais severos podem ter início.

• Quem apanha tem mais chance de se tornar um agressor.

• Nos casos mais graves, a criança pode desenvolver dificuldade de aprendizagem, postura de medo em relação aos pais e seqüelas físicas.

• Palmada não educa. Sem diálogo a criança fica sem entender porque não deve repetir o comportamento.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Palmada educativa? Como?

Não imaginava que o tema palmada fosse surgir nos comentários no post "Guilherme no mundo da lua e as desventuras em série". Era um tema que eu vinha elaborando para escrever aqui, mas sempre achava que o texto não fazia juz a sua importancia.
Antes do Guilherme nascer eu não via nada de mais em umas palmadas, achava que deixar chorando pra dormir era válido e que o nottyspot era a melhor idéia de todos os tempos! Eu levei minha boa parcela de palmadas e puxões de orelha e não tenho trauma nenhum relacionado a isso. Mas, hoje, não saberia dizer se mereci todas as palmadas, também não acho que fui menos "danada" por causa delas. Afinal, qual a traquinagem que merece palmada? Qual o limite da palmada? Existe uma tabela de gradução, a "infração" X correponde a tantos tapas na bunda? Quando a palmada vira surra?
Para mim, a punição física, é o apice de irracionalidade de qualquer pai, é o atestado da mais completa falta de controle, não sobre o filho, mas sobre a propria incapacidade de argumentar (eu sei que cansa, acabei de falar sobre isso) e de impor limites sem usar da força física. O mais leves dos tapas (que no meu caso jamais seriam leves, tenho a mão pesada pacas) no corpo do Guilherme seria uma brutalidade. Dá o maior trabalho ensinar que é feio bater nas outras crianças, que não se deve morder, que é preciso respeitar os menores. Mas o que eu ensino batendo?
Detesto quando escuto comentários do tipo: "titia vai dar umas palmadas se o Gui fizer isso", Como é que é? Ou quando vejo dar tapinhas nas mãos para deixar de mexer nas coisas. Já tirei o Guilherme do colo de uma pessoa que fez isso na mesma hora que ela iniciou o movimento de dar o tapa, na época ele tinha 5 meses. Aqui em Cabo Verde, a palmada é uma prática comum, vejo até empregadas distribuindo tapinhas nas mãos e na bunda dos miúdos. Fico passada! Em Cabo Verde não há lei que proiba os castigos físicos em casa nem nas escolas. Eu pentelhei mesmo pra saber se a escola onde o Guilherme estava não batia. Lá, eles usam o cantinho da disciplina, banalizavam o nottyspot de tal maneira que eu creio que perdeu completamente qualquer efetividade (se é que é efetivo) nas casas de todos os alunos.
Atualmente, qualquer um de nós, fica admirado que um dia, nas escolas, os alunos era humilhados na frente dos colegas e submetidos a castigos físicos, a palmatória era que mantinha a ordem na sala de aula, ou os carroços de milho. Hoje em dia há leis que proibem esse tipo de conduta. E por que em casa seria diferente? Por que tanta gente acha que é um absurdo haver um projeto de lei proibindo a palmada?
Mas então, o que fazer? O primeiro passo é ter consciencia de que vai dar trabalho, principalmente no começo, mas com muita paciência é possível sim fazer.
Aqui vão algumas dicas:

* Demonstre o que eles devem fazer. E não apenas o que não devem.
* Explique suas verdadeiras razões. 'Porque eu estou dizendo' não ensina nada.
* É importante dizer sim.
* Elogie o bom comportamento e repreenda o inadequado.
* Apóie-se em recompensas como abraços e brincadeiras, e não em punições como tapas e gritos.
* Ignore pequenas bobagens. Quanto mais você ralhar, menos será ouvida.
* Quando as crianças fazem alguma coisa errada, explique-lhes como podem consertá-la.
* Mesmo que você não aprecie o comportamento do seu filho, nunca sugira que você não gosta dele.


Até onde pude averiguar, todos os livros modernos sobre educação dos filhos são contra as palmadas. TODOS. A Super Nanny, com todas as suas regras condena, todos condenam. Então, se bater o desespero, corra até a livraria e escolha um livro. O Besame Mucho, do Dr. Carlos González, é um excelente começo, mas tem uma montanha de livros a disposição que podem ajudar.


Hoje li uma frase que resume bem a questão da palmada: Bater é fácil: resolve o seu problema na hora. Educar é difícil, leva uma vida.

domingo, 28 de junho de 2009

Guilherme no mundo da lua e as desventuras em série

O Guilherme é, normalmente, um bom menino. Danado como devem ser as crianças de sua idade, grita, reclama, já anda cheios de por ques. Uma das coisas que admiro nele é a auto-estima, ele se vê exatamente do tamanho das outras crianças, que em regra tem quase o dobro da idade dele, fica com raiva quando é expulso da brincadeira. Vive o eterno dilema de gostar de ser paparica como bebê, mas de querer brincar como e com os grandes. Tem momentos MARAVILHOSOS, dá beijos e abraços muito carinhosos é divertido, extrovertido. Algumas manhãs vem bem cedo para a nossa cama (na verdade ele me chama e eu vou buscar), pede o leite e volta a dormir com a cabeça no meu ombro, eu normalmente não volto a dormir, mas fico curtindo um pouquinho esse momento, saio de mansinho e deixo os meninos curtindo um soninho bom.

Tenho certeza que João e eu não somos os primeiros a passar por isso, muito menos os últimos. A questão é que de uns tempos pra cá está ficando cada vez mais difícil uma conversa com o Guilherme. Há momentos em que ele simplesmente nos ignora, é como se fosse surdo (fato já devidamente descartado) outros que ele responde nonsense, mudando de assunto, isso é o mais irritante.Ele também voltou a odiar o banho, tem sido uma luta. E não é só a questão de molhar a cabeça, é o banho em si. A água não é o problema, ele continua gostando da piscina e entra na banheiro cheia por conta própria, não gosta mesmo é da lavagem. A gritaria é tão grande que se aqui tivesse Conselho Tutelar já teriam batido em minha porta um par de vezes esta semana. Não faltam distrações para ele no banho, a última aquisição feita foi um barco (esse ai da foto) muito "fixe" que ele mesmo escolheu no aeroporto de Lisboa, mas agora as peças são atiradas a distância sempre que eu ponho o barquinho para navegar nas águas da banheira. Usar o chuveiro deveria estar fora de cogitação por que agrava a gritaria, mas tem sido a maneira mais rápida de por fim ao sofrimento dele, nosso e dos vizinhos no final da tarde.

Tem uma novidade, sempre que eu brigo ou digo não, ele recorre a Carla, já que ela sempre faz as vontades dele. Agora, eu tenho que ficar dando duas broncas de cada vez. No Guilherme pela danação e na Carla para que ela não faça o que eu já havia dito que não podia. Ele também aprendeu a supervalorizar as coisas, se leva um topada, diz que foi empurrado e pede para por no falso agressor de castigo. Outro dia arranhou o joelho no ralo da banheira (depois de fazer EXATAMENTE o que eu havia dito para não fazer) e como superfaturou o arranhão! Ficou deitado na nossa cama, gemendo, com uma toalha no joelho, pedindo pelo pai. Um drama sem igual! Rimos muito, eu, ele e o João.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Eu sou fã de carteirinha do Dr. Harvey Karp

Ainda não li o Bebe mais feliz do pedaço, vou ler antes de ter o próximo filho, com certeza vou ler. Tem o DVD também, mas prefiro o livro. O outro livro dele, eu li uma grande parte, em inglês, ouvi dizer que já tem em português e achei bem legal.

O fantástico fez duas reportagens com o básico de cada um dos livros.

Vale a pena divulgar.



O site do Dr. Karp aqui