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domingo, 22 de agosto de 2010

Diário de uma Mudança - A despedida

Certa vez, uma pessoa me perguntou se a vinda a Cabo Verde havia valido a pena . O que mais me chocou foi que essa pessoa não se mostrou satisfeita ante a resposta afirmativa. O "valer a pena" para mim, é antes de mais nada relativo e está relacionado com os objetivos que se tem quando se toma uma decisão, o que se espera da experiência. Podem ser objetivos praticos ou não. Também depende muito da pessoa, da sua flexibilidade, resiliência e espirito aventurero. Cabo Verde vale a pena, mas não é para qualquer um. Para mim, foi uma jornada de autoconhecimento e de reavaliação do que realmente é importante. Aqui, finalmente, aprendi a deixar pra lá. O que não combina comigo deixei pra lá; idéias, pessoas, lembranças, objetos ...
Para mim, as pessoas é que fazem o lugar. O melhor lugar do mundo, pode virar um inferno se você não conhecer as pessoas certas pra você, aquelas que vão te ajudar na jornada. Algumas dessas pessoas têm um papel bem pratico, vão te explicando como funciona o lugar, a burocracia para abrir uma conta no banco, pedir linha de telefone, as vezes ajudar com o idioma, levar para conhecer escolas, normalmente, são expatriados como você, que já passaram por isso e sabem o importante que é ter uma ajuda assim. Outras pessoas vão abrir suas casas, apresentar a cultura e os costumes locais, vão te ajudar quando você precisar entender por que as coisas são como são. Ao final, nem todas essas pessoas serão seus amigos, mas ainda assim são pessoas importantes e sem as quais nada teria sido igual.
Em Cabo Verde, tivemos uma experiência riquissima, fizemos amigos maravilhosos, que não vejo a hora de reencontrar. A vida que tive na Cidade da Praia não seria possível em nenhum outro lugar, as coisas boas e as ruins também. Me sentia em casa, reclamava (acho que sempre vou me queixar de certaz coisas) por que esta é a minha natureza e por que não estou pronta para romper o meu paradigma da imperfeição, adoro o imperfeito e as possibilidades que ele apresenta.
Minha  amiga  Sofia sugeriu que, para amenizar a saudade, eu fizesse uma lista das coisas das quais não vou sentir saudade. Bom, vamos lá:
-  cortes de água e luz; e
-  ter que passar por pelo menos três lugares para fazer as compras da casa e ainda assim não encontrar tudo.
Mas foram somente essas duas coisas que eu posso dizer que não farão falta.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Caminhos da reportagem - Cabo Verde

Lembram que o Carlos Alberto Jr. passou por aqui em setembro? Pois bem, aos poucos a TV Brasil vai colocando as matérias no ar. A edição da semana passado do programa Caminhos da Reportagem, mostrou um pouco sobre Guiné-Bissau e Cabo Verde. A matéria sobre Cabo Verde está dividida em três partes, a primeira começa aos dois minutos do primeiro video.







Em seu blog, o Carlos Jr. reproduziu uma entrevista que fez com Hamilton Jair Fernandes, historiador especializado em arqueologia e mestre em Gestão de Patrimônio. Bem interessante!
A matéria sobr

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A primeira impressão

Um dos livros de que mais gosto é Equador, do Miguel Sousa Tavares. Li já aqui em Cabo Verde, devorei suas mais de quinhentas páginas em coisa de dois dias. Os outros livros do autor não li, João achou o Rio das Flores muito aquém do grande hit do autor. Por sinal, o proprio Miguel confessa que escreveu o livro meio que na marra, bom ... mas não era sobre isso que queria escrever, na verdade é sobre um outro livro dele, uma do qual nunca havia ouvido falar, o SUL Viagens. Pois ontem, fui a livraria sozinha e aproveitei para me deixar levar pelos livros, curiei mesmo e me deparei com o livro, só o fato de ser um relato de viagem já começa ganhando pontos comigo, ai li as orelhas e pronto, tinha que comprar. A melhor parte é a que segue:

«Uma das pessoas que me ensinou a viajar foi a minha mãe. Ensinou-mo com uma simples frase. A única vez que viajámos juntos fomos a Roma. Estávamos sentados uma tarde na Piazza Navona, o seu local preferido de Roma. Ela bebia um dos seus inúmeros chás diários e há mais de uma hora que ali estávamos, sentados a contemplar a beleza perfeita da praça, enquanto fumávamos vários cigarros(...) Mas estávamos ali há demasiado tempo, era a primeira vez que vinha a Roma e tinha, logicamente, alguma pressa de seguir caminho e ver outras coisas. Sentindo a minha impaciência, a minha mãe disse-me: "Miguel, viajar é olhar." Até hoje, fiquei sempre cativo desta frase e do que ela implica e compromete o verdadeiro viajante."

Bom, a noite, já deitada decidi dar uma olhadela no livro e parei para ler o relato de uma viagem feita a Cabo Verde, em setembro de 1995, quando o país comemorava os 20 anos de independência e se via as turras com uma epidemia de cólera. Não era a primeira vez que Miguel vinha ao Cabo Verde, ele visitara o país dez anos antes e pelo visto muita coisa mudou naquela década. Mas uma parte do relato me chamou a atenção, 15 anos depois, foi extamente essa a primeira impressão que tive da cidade.

" Em dez anos, a Praia cresceu de 20 mil para 80 mil habitantes. Sem planejamento, sem infra-estruturas, sem esgotos ou água canalizada, sem nenhuma preocupação arquitetonica. Bairros inteiros surgem na terra seca, antes mesmo de haver ruas, cada um construiu como quis e onde quis. Pior ainda, como se vê ao longo de toda a ilha, eles, de fato não construiram: vão construindo, á meidade das suas posses. A cidade transformou-se assim num amontoado de casas inacabadas, de tijolo e argamassa, com telhados de zinco, sem pinturas e, as vezes, sem janelas e sem vidros nas janelas"


Nesses 15 anos, a população da Praia passou de 80 mil para mais de 120 mil habitantes. É verdade que a infraestrutura melhorou, mas água e esgoto na cidade ainda não é para todos e nem falar na qualidade do serviço. Hoje, já se percebe um planejamento da cidade, há ruas onde ainda não há casas e já não se constroi onde e como se quer, mas fica claro o impacto dos tempos do crescimento desordenado. Uma coisa não mudou: a cidade ainda é um amontoado de casas inacabadas, uma paredão cinza que se mistura com a terra seca. Isso é algo é não consigo ignorar nem consigo deixar de reparar, claro que sei que falta o dinheiro para o acabamento até entre a classe média, sei que muitas dessas casas inacabadas são de emigrados que sofrem com a crise economica nos EUA ou na Europa. Para além da parte estética, penso na saúde pública e nos inumeros focos de mosquito (Dengue e Malária), dos ovos de aedes que estão a espera da chuva ou qualquer outra água para eclodirem. Do lixo que se acumula, da segurança pública. São tantas coisas ...

O relato sobre Cabo Verde é breve, mas deixa claro que o país e seu povo causaram boa impressão ao escritor e jornalista. Além de Santiago ele fala sobre São Vicente e Sal e percebeu bem as diferenças entre as ilhas e suas gentes. Hoje, espero ler o trecho referente ao Ceará e ao Rio Grande do Norte, li uns parágrafos saltados e bom, confesso que achei meio deslumbrado, exagerado. Depois eu conto o que achei.

A foto foi tirada em outubro do ano passado, quando ainda chovia e a cidade estava verde.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Batuku

Expressão cultural tipicamente Cabo Verdiana, hoje em dia se limita praticamente a Ilha de Santiago. Esta é a última reportagem da série sobre Cabo Verde na TV Brasil.
Pra ver aqui: http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/video/2883/
Particularmente eu ADORO batuku (batuque em criolo).

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Cidade Velha na TV Brasil

A segunda matéria da série da Tv Brasil sobre Cabo Verde conta um pouco, pouco, da história da Cidade Velha.
Para ver a matéria basta ir aqui http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/video/2845/

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Cabo Verde na TV Brasil

Vocês lembram que no ano passado eu fiz um trabalho de produção para o Carlos Jr.? Pois bem, uma das matérias, a sobre o Konekta, foi ao ar ainda no ano passado. Esta semana, a TV vai mostrar uma série de reportagens sobre CV, a primeira foi sobre as rabidantes, a próxima será sobre Cidade Velha. Assim que tiver os links vou colocá-los aqui. O Carlos está colocando os links lá no diário. Espero que gostem.
Para ver a matéria basta ir a este endereço.
http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/video/2784/

domingo, 11 de outubro de 2009

"As água"


A estação chuvosa aqui, se chama "As água" e assim como no nordeste brasileiro marcam o fim do verão. Ano passado, choveu muito, como não chovia havia décadas no país, para terem uma idéia, na cidade da Praia tem um morro que chamam de morro vermelho (por razões evidentes), pois o morro vermelho ficou verdinho, verdinho. Mas isso foi atipico, o normal, é que chovam uns 5-10 dias por ano, segundo os dados disponíveis na internet.
Para este ano, os jornais noticiaram que a estação seria modesta, pouca chuva e mais no interior da ilha de Santiago. Pois minha gente, chove menos que no ano passado, mas tem chovido bem. Tá dando pra matar minha vontade de chuva, que é grande. Como boa nordestina adoro chuva, falo com um soriso nos olhos que o dia tá bonito pra chover e não me importo em me molhar com a chuva, mas ao contrario da maioria dos meus conterraneos, sempre tenho um guarda-chuva a mão.
Mas a raridade do evento chuva aqui fica evidente quando andamos pelas ruas do plateau e vemos que as ruas asfaltadas antes das chuvas do ano passado não tem boca-de-lobo ou qualquer outra forma de dar vazão a água da chuva. Segundo amigos, eles foram fechados pelo asfalto. Eu não estava aqui, só posso confiar, até por que não vejo razão para que alguém invente isso.

Um pedacinho da cidade da Praia. O morro vermelho, verdinho!

Uma amiga voltou do Brasil há pouco e ficou admirada com a vista verde que se tem do avião, também gosto disso, do verde. Tive a mesma sensação quanto fomos a Boa Vista e nunca vou esquecer o choque que foi para os meus olhos ver o verde em Madrid. Hoje fixo bem a cidade verde, é assim que quero guardar Santiago na memória.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Buzio - Culinária Cabo Verdiana

Para quem não tem família em Cabo Verde é complicado comer pratos tradicionais para além da cachupa (katxupa). Não há restaurantes de comida típica, alguns tem em seu cardápio pratos típicos que nem sempre estão identificados como tal e outros até tem pratos típicos, mas eles não constam do cardapio, então já ir sabendo que lá tem e pedir. Pois ontem, fomos apresentados ao buzio. Quem preparou foi Sofia, amiga que mora aqui no condominio.

O buzio é na verdade o bichinho que mora dentro daquelas conchas maiores, aquelas que a gente coloca no ouvido e escuta o mar. No litoral daqui eles estão aos montes, bom, na verdade só vemos as conchas quebradas (como nesta foto lá do Tarafal). Nos adoramos o prato, realmente DELICIOSO e com certeza, agora que sei como fazer e onde comprar, farei para as proximas visitas aqui do solar. Infelizmente, não tenho fotos do mais que agradável fim de tarde e noite na casa de Sofia e Djassi. Se algum caboverdiano se ofecer pra preparar buzio, minha gente, vão com fé, que o negócio é bom. Aqui se come com pão, mas já soube de um lugar que serve com macarrão. E confesso que fiquei com vontade de temperar com um pouco de grog (cachaça daqui) pra ver como fica, algo me diz que vai ficar bom também. A receita vai ficar pra quando eu fizer o prato.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Eu ouvi um gatinho ou Fofoca sobre empregada

A nossa vizinha, que mora no térreo, teve até bem pouco tempo um sério problema com ratos. A cachorra, uma pequines chamada Concha, esteve entre a vida e a morte por que comeu o veneno. Então não estranhei quando um dia comecei a ouvir miados, mesmo eles sendo de gato muito novo para ter sido desmamado. Anyway ...
Pela Carla, que ficou amiga da empregada da vizinha, pude confirmar que sim havia um gatinho de menos de um mês no apartamento. Tão novinho? Mas a Carla falou que o gato (ou gata) havia sido resgatado antes que dessem cabo a toda uma ninhada. Neste caso ...
Então, um dia, preocupada com a saúde do felino, decidi que era hora de pagar uma visita e ver como estava o pequeno e se precisavam de algo. Para parecer menos intrometida, usamos o Guilherme de desculpa e um dia, na hora do almoço fomos visitar. Para não chegar de mãos abanando, levamos umas bolinhas com chocalho dentro e um saco de areia.
Suzana, a dona da casa não estava, fomos recebidos pela Zuleica, a empregada. Vimos o pequeno, perguntamos como estava, esse tipo de coisa. Explicamos da areia, como usar, que pro tamanho do gatinho bastava uma tampa de caixa de sapato. Guilherme aproveitou para brincar com a Concha e pegar no colo um gatinho pela primeira vez, já que blanquito e biscoito pesam quase tanto quanto ele.
Uma semana depois, chegamos em casa e Suzana está na janela. Aproveitamos para perguntar do gato, do leite, se a cachorra aceitou, esse tipo de coisa. Conversa vai conversa vem, falamos sobre a areia do gato e ela contou que a gatinha já usava a caixa e tal. E não lembro como foi que falamos das bolinhas. Suzana arregalou os olhos e perguntou:
- Foram vocês que trouxeram as bolinhas?
- Sim.
- E a areia?
- hummm sim.
Então ela solta uma sonora gargalhada e conta que a empregada havia dito que trouxera as bolinhas e que também já havia encontrado a areia para o gato. Para a patroa foi um espanto tamanha iniciativa, mas já que a empregada havia levado o gato, fazia sentido que ela participasse um pouco, pelo menos tentasse agradar.
A Suzana ainda contou que a dita cuja, ao inves de pegar uma caixa qualquer para colocar a areia, tirou a tampa de um jogo, ou foi de uma coleção de DVD, para por a areia, a sorte foi que ela viu a caixa escondida atrás do sofá (!) com a areia.
Confesso que fiquei passada com a atitude da empregada, mas ao que parece não é incomum que isso aconteça por aqui. Segundo o Andrew (amigo do João, voluntário do Peace Corps que estava aqui), juntamente com "você tem dois, me dá um?", é das coisas que ele mais viu por aqui. Bom saber!

segunda-feira, 30 de março de 2009

Conhecendo Cabo Verde

Assim que me falaram da ilha do Fogo eu fiquei louca para ir. Já pensou ficar em uma pousada dentro da cratera de um vulcão? Do lado de outro que entrou em erupção há menos de 15 anos? No mesmo dia caminhar num deserto de lava e visitar uma floresta? Passear por videiras, pés de romã, figueiras, maçã, marmelo? Também ver cabras criadas em curral por que senão comem as plantas? Ao fim do dia tomar um banho de água gelada? (Essa parte eu não curti muito não, até porque esta um friiiiiiiiiio) E a comida .... ah! a comida! Gente o que foi aquilo!

A ilha não se parece com nada já visto, não tenho como comparar. Os amigos com quem fomos tampouco souberam colocar adjetivos, ímpar com certeza! Para nós foi a primeira vez que saímos de Santiago, para os demais não e segundo eles não há nada que se compare em Cabo Verde. A capital, São Felipe, poderia ser uma cidade no interior de Minas, só que com mar, o casario relativamente bem conservado, cheio de praças, muito verde, limpa. O céu estrelado, que céu, não lembro de jamais ter visto céu tão bonito.

O caminho de São Felipe até Chã da Caldeira leva quase uma hora para percorrer montanha acima, paredão de um lado abismo do outro. O lugar é alto, mais de 2.500 metros acima do nível do mar, assim cruzamos as nuvens. Chã da Caldeira fica dentro da cratera de um vulcão, a bordeira é impressionante! Esse vulcão maior está inativo, mas dentro dele tem um vulcão ativo. Para quem gosta de caminhadas, trilhas, escaladas o fogo é o lugar. A pousada em que ficamos se chama Pedra Brabo, é de um francês que há uns 17 anos foi para lá e montou o lugar. Rústico é o melhor define o local. São 12 quartos MUITO SIMPLES, banheiro coletivo SEM água quente, e o lugar fica sem energia as 9 da noite (gerardor). Mas vale a pena! Todas as refeições são M A R A V I L H O S A S, não há como por reparo em nada. No centro de turismo nos apresentaram várias opções de passeios, o mais breve de duas horas, o mais longo de dois dias! Nós optamos por um passeio de 4 horas, mas olha fiquei tentada a subir o vulcão ativo e a subir a bordeira e fazer a caminhada de dois dias, com pernoite na caverna. Não tem como passear pelo vulcão ficando para dormir em São Felipe, pelo menos uma noite tem que ser lá. O Guilherme, que já viajou resfriado, e o João não fizeram a caminha. Eu fiquei muito feliz em ter feito! A caminhada não demorou as 4 horas, até por que o Lucindo (motorista que nos mostrou sua terra) estava passando na estrada justo na hora que nós saímos do deserto de lava e se tivéssemos ido a pé seria, pelo menos, uma hora de caminhada. O caminho para a floresta é impressionante, um lado da ilha é seco, árido, como um deserto, o outro é verde, úmido a ponto de ter uma floresta. A volta para São Felipe pareceu uma eternidade e chegar no aeroporto e descobrir que o vôo foi adiantado e não avisaram 7 passageiros. Assim foi que conhecemos o hotel Xaquate e descansamos um pouco de excelentes dois dias. Olhando o por do sol e a Ilha Brava (que não está nos nossos planos conhecer por que podemos ficar por lá além da conta, lá só se chega de barco e às vezes o barco pode demorar alguns dias além do previsto para voltar para o Fogo).

Depois de conhecer a ilha tenho certeza de que, se a repórter da revista Viaje Mais foi ao Fogo não saiu São Felipe, não tem como uma pessoa ir até a cratera de um vulcão, passando por uma paisagem surreal e não colocar nenhum foto, nada, e escrever algumas poucas linhas.

Das comidas eu não tirei foto, não deu tempo! Dar conta de comer quente e alimentar o Guilherme não sobrou muito tempo para isso. Confesso que também não lembrei de pedir para outra pessoa tirar. Mas para matar a curiosidade, olhem aqui.

Quanto a confusão, bom ... a história ainda vai render um bocado e o João há de relatar de forma mais engraçada, como também de certo fará com o relato desta viagem lá no pezinho.


domingo, 14 de dezembro de 2008

Mais do mesmo

Agora te manhã temos água, já enchi todos os baldes e bacias. E tudo mais que possa armazenar água. Curioso como vamos descobrindo o que realmente importa nessas horas. No final do dia usamos a água do banho tcheco para dar a descarga nos banheiros, o suficiente. E assim vai. A água do banho de ontem foi em parte água dos ar condicionados, e a vida continua.

sábado, 13 de dezembro de 2008

A vida em Cabo Verde sem água - UPDATED

Estamos a quase uma semana passando por cortes já não tão esporadicos de água. O motivo é muito simples, a Electra (cia. de H2O) não está mandando água, pelo menos não com a pressão necessária, para entrar nos reservatórios de água do condominio e garantir o consumo normal dos apartamentos. Assim só temos água pela manhã, na hora do almoço e a noite, em cada uma das vezes temos mais ou menos duas horas de água disponível. Isso por que a pouca água que vem permite essa ginástica, por que quando ela diminuir ainda mais (o que deve acontecer muito em breve) o condominio vai ter que comprar carros pipa para encher os reservatórios e garantir que todos tenham água em suas casas. O que chateia muita gente aqui, e em outros prédios também, é que acabamos pagando duas vezes por essa água, isso mesmo. Pagamos pelo carro pipa e pagamos pelo relógio da electra, isso por que aqui o medidor está na entrada dos apartamentos.

O que muda no nosso dia-a-dia com isso? Bom, na prática temos que lavar as mãos com água em baldinhos do G ou em copos. Rezar para ninguém precisar fazer um número 2 depois que a caixa da descarga esvaziar. Anda valendo a regra do "if its yellow let it mellow". E eu não lavo meu cabelo a alguns dias, por que na hora que tem água eu acaba indo fazer outras coisas e não gosto de dormir de cabelo molhado, mas acho que de hoje não passa. Passa, continuamos sem água e TALVEZ ela volte amanhã pela manhã, TALVEZ. O João está vendo a questão do caminhão pipa, já que em tese não há entrega no fim de semana. É bem provável que o domingo seja sem água também.

Acho que esta semana vamos comprar um container de água para garantir melhor nossas necessidades básicas de água pela casa.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Sucupira

Se tem um lugar que quem vem a Praia não pode deixar de visitar é o Sucupira, trata-se do maior mercado de Cabo Verde. O mercado tem esse nome inspirado na novela, na verdade no Cemitério, que foi inaugurado, mas não aparecia defunto para ser enterrado, saca? Pois com o mercado foi a mesma coisa, teve sua pomposa inauguração, mas ninguém ocupava o lugar, demorou um tempo para a coisa "pegar". Lá se vende "d´um tudo", tudo mesmo. Móveis, roupas, eletrônicos, produtos de beleza, tem salão de beleza, mulheres que fazem penteados, tecidos vindos do senegal, artesanato, comida (peixe, leitões, verduras, legumes), novos e nem tão novos assim.
Uma das coisas que se percebem assim que estamos perto do sucupira são os barris de petróleo, os bidões. Eles são enviados por emigrantes que estão nos Estados Unidos que, pelo que consegui descobrir, conseguem enviá-los de graça, ou a um custo muito baixo. Neles mandam roupas, muitas adquiridas no "good will", produtos de origem e qualidade duvidosa, perfumaria. O desembaraço alfandegário é mais simples, e o imposto cobrado costuma ser baixo. Mas, como todos são abertos se o fiscal encontrar produtos caros o imposto sobe consideravelmente. Muita gente compra os bidões fechados também para vender no mercado ou nas ruas, é o bidão surpresa. No fim do dia o que não foi vendido volta pro barril. Os bidões vazios são vendidos por algo como R$25,00 e as pessoas compram para armazenar água(lembrem que aqui o fornecimento é irregular) e grãos.
Mas voltando ao mercado, o lugar é um labirinto, impossível de percorrer tudo sem a ajuda de um "guia" local (do mercado). Por sinal, não só no mercado, mas também nas cidades, as noções de paralelas e perpendiculares ficaram só nas aulas de geometria, isso ajuda na hora de se perder que vocês nem imaginam, hehehehehehe. Mas ao contrario do que eu imaginava o lugar não é lotado e até mais arejado do que a Feira dos Importados lá em Brasília. Pelo menos foi assim que o encontramos, quem sabe da próxima vez o cenário é outro.
Como decidimos já fora de casa que iriamos para lá, não levei a camera, mas para ver algumas fotos vocês podem clicar aqui, aqui e aqui.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Os nomes de cada um

Aqui em Cabo Verde, não raro as pessoas têm dois nomes, o de casa e o da igreja. As vezes os dois nomes são o mesmo, outras não. O nome de casa seria como um apelido, nome pelo qual somente as pessoas mais próximas conhecem a pessoa. Já o nome de igreja é o nome oficial, o dos documentos, o que os professores chamam na escola. Tem gente que se apresenta para todo mundo pelo nome de casa mesmo, outros não. A Sa é o diminutivo para Sandi, que é o nome de casa da Mônica Andreia. O Florêncio, motorista da embaixada, é o Tó. Já a Carla, que está trabalhando aqui agora é Carla em casa também, segundo ela.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

O supermercado


(26 de Agosto)

Quem me conhece sabe o quanto gosto de um supermercado, pode ser supermercadinho ou super mercadão. Eu gosto de tudo, passear pelas gôndolas, olhar as novidades, novas marcas. Não me recuso a ver o setor de produtos para carro, olho o bazar, roupas, móveis e tudo mais. Aqui não seria diferente, até por que ir a supermercados em outros lugares é uma diversão a parte, duas vezes mais interessante. Bom, só que aqui só tem 4 supermercados, dois maiores e dois assim, meio médios, sabe? Tem também várias vendinhas e mercearias. Para fazer o mercantil é preciso passar por pelo menos dois, fora a frutaria e o importador de carne. Por que isso? Bom, a fortes suspeitas de que a maioria dos estabelecimentos desligam as geladeiras e freezers durante a noite, além dos frequentes cortes de energia. Eu sei, eu sei, no Brasil também se faz isso de desligar as geladeiras, principalmente nos menores ou naqueles que não funcionam 24 horas. Fora a falta de higiene, algo que saiu por demais do meu padrão de exigência. Assim sendo a recomendação geral é de comprar com o Timóteo, que vende carne brasileira direto do containner refrigerado, como nem tudo é perfeito ele vende no atacado (a grosso como se fala aqui) e ai tem que ir em grupo fazer as compras. Já as frutas, dá pra comprar no super, as vezes tem, mas é que aqui eles deixam a fruta apodrecer, secar, ela fica lá e na frutaria não. O Timóteo também vende fruta, a grosso, claro e mantém uma geladeira no supermercado perto da residência. A ida ao super ainda é uma aventura por que sempre tem algo diferente, pelo menos para mim, e outras marcas (apesar de muitos produtos brasileiros). Veremos como será daqui um ano. Hehehehehe

Escrito em 24 de Agosto de 2008

Bom, na 2ª. Feira fará duas semanas que estamos aqui em Praia. Dada a dificuldade de acesso a Internet até a chegada da mudança decidi começar a escrever os posts no meu querido caderno assim quando o computador estiver aqui fica mais fácil colocar tudo na casinha. Ah! Em breve colocarei uma série de posts com dicas para mudanças, que espero sirvam para aqueles que embalam suas próprias coisas como para quem, como nós, teve as coisas embaladas por profissionais. Uma coisa que vou ter que pesquisar é como funciona a liberação de mudanças internacionais, já que nós temos franquia diplomática e não pagamos as taxas e impostos. Vou só esperar que cheguem as coisas para fazer uma análise mais apurada do processo. Já dá pra adiantar que é possível viver com muito menos do que normalmente temos.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Em breve novidades

Queridos
Espero a compreensão de todos com a minha ausência aqui, mas é que até estar bem instalada em casa fica complicado manter uma periodicidade. Estou escrevendo tudo em um lindo caderno cor de rosa e quando for possível posto tudo aqui.
Beijos