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terça-feira, 10 de abril de 2012

Reflexões sobre linguas e culturas: a continuação

Depois de ler quase todos os posts da blogagem coletiva e os comentários ficou obvio que é um tema que não se esgota e que muita coisa ficou de fora. Ai, veio a Paloma pra dar corda e sugerir que eu contasse mais, então ... Para começar: um breve histórico da família de minha mãe pode ser encontrado aqui, acho que assim dá pra ter uma geral da salada cultural que é minha família. Por falar nisso, desde aquele tempo estou devendo a história da família de meu pai, um dia eu sento e escrevo.
Eu, em principio, concordo com que os pais devem falar com seus filhos nos respectivos idiomas e não vejo nada demais em que ele seja usado fora de casa, mas neste quesito acredito que se a criança não se sente a vontade com o uso de outro idioma isso deve ser respeitado. Nos comentários citei dois exemplos em minha própria família em que os pais optaram por não ensinar ou abandonar um idioma. Foi num momento extremo, mas instintivamente se decidiu que a segurança da  família passava pelo abandono de um idioma. Lembro quando era criança que DETESTAVA quando me pediam: "fala algo em espanhol" depois que voltei da Noruega era o norueguês e quase sempre alguém vinha perguntar qual a utilidade de saber falar norueguês, para mim a resposta bem humorada era: para entender sueco e dinamarquês!
A verdade é que por vir de uma família bem "diversificada" num pensei muito na questão do aprendizado de outras línguas, em um método, nas consequências. Antes de o Guilherme nascer chegamos a cogitar em que o João falaria em inglês com ele e eu em espanhol, mas nenhum dos dois se sentia a vontade com isso e deixamos para lá. Quando começamos nossa temporada no exterior não li nada, não troquei nenhuma ideia com ninguém e ao contrario de muita gente não víamos nada demais em o Guilherme falar crioulo (mesmo que para muito não passe de um português errado) afinal a língua faz parte do pacote cultural e ele sabia que crioulo não é português e nunca misturou.
Para mim, quanto mais melhor, e confesso que tenho dificuldade em aceitar que uma pessoa more em um país e não aprenda um pouquinho que seja do idioma, não precisa falar certo, basta entender e se fazer entender. Não me ligo no sotaque, até por que ele muda, eu já falei espanhol com sotaque mexicano(!) e depois foi embora. Já falei inglês como os noruegueses e hoje falo norueguês como os americanos, tudo vai depender da influência do meio e da vontade (ou não) de não ter sotaque, pra quem se liga nisso tem fonoaudiólogos especialistas no assunto e é bem interessante por que tem características do sotaque que a gente nem percebe. O mais difícil mesmo é dar a melodia certa ao idioma, a música de cada lugar.
Aqui, Guilherme estuda em uma escola bilingue, não é uma escola internacional. Ele estuda em período integral, pela manhã as atividades são em espanhol e seguem o curriculum argentino, a tarde as atividades são em inglês e no caso do Jardim, seguem uma linha construtivista. O idioma dele, no qual ele brinca é o espanhol, mas prefere ver desenhos, filmes e ouvir musica em português, mas na hora de cantar é o inglês que ele usa. As histórias na hora de dormir podem ser em qualquer um dos idiomas. Confesso que não tenho uma opinião formada sobre escolas internacionais, sei que com a vida maluca que levamos para os filhos é a garantia de um terreno conhecido em qualquer lugar do mundo. Mas isso é conversa para o futuro, quando se apresentar o dilema e de acordo com a realidade que encontrarmos onde quer que estejamos.

2 comentários:

Paula disse...

Neda ja fui la e li o outro post e adorei saber um pouco mais da sua hisotria. A minha familia tbm e mieo espalhada pelo mundo e me identifiquei bastante. Em casa acabos usando 3 idiomas para nos comunicar ou ainda um proprio que a gente cria das loucuras que saem da mistura deles. Quanto as criancas serem obrigadas a usar os idiomas, foi um ponto interessante e no qual eu nao tinha pensado. Acho q chega um momento que nao da pra obrigar senao acaba sendo pior nao e?
Desculpa o livro aqui no seu blog. Beijos

Cíntia Anira disse...

Oi Neda,

Acho a trajetória da sua família bem interessante. Como você já passou todas as fases e agora pode relatá-las, podemos analisar qual o resultado dessa mistura. Como mãe, você acrescenta muito quando compartilha suas opções.

Enfim, é legal ver essas indas e vindas. Daria um livro! :D

Beijos