Páginas

segunda-feira, 5 de maio de 2014

A muralha

Durante mais de um ano fiquei pensando sobre o que escrever aqui ... por um tempo fiquei organizando as nossas viagens, dicas e fotos de como fazemos. Mesmo viajando bastante, tem gente que viaja mais e há mais tempo ... meu dia a dia, pode até ser interessante, mas é meu (risos). Dicas de coisas para a casa ... hum ... podia ser, mas minha vida não é só isso, ou é? Tem também os meninos ... os meninos. 
Outro dia numa conversa na internet me dei conta de que quando eu digo que converso com o Felipe (quase 3 anos) as pessoas vem uma conversa assim como de adultos, sei lá, como se eu explicasse demais as coisas, desse satisfação. E não é assim. A conversa se resume a ele entender que eu sei o que ele quer, mas que não pode ser assim. Lembrei de um livro e da comparação que o autor faz das crianças nessa idade com os primatas. Frases curtas, palavras simples e paciência, muita paciência. Imagina, se eles vem o mesmo filme infinitas vezes, quantas vezes não tenho que repetir algo para que ele entenda. Não adianta ficar explicando que tem que tomar banho por que não pode ficar sujo, por isso ou por aquilo. Mas eu posso adotar uma atitude mais positiva e perguntar se ele não quer dar banho em um brinquedo ou então um banho de espuma.

Outro dia tivemos uma noite difícil. Os dois estavam sem sono (na verdade um não queria dormir antes do outro, este sim parecia não ter sono). Taí uma coisa que eu tento ter a maioria paciência do mundo, tento, por que chega uma hora que o meu cansaço me vence e a vaca vai pro brejo. No dia seguinte foi aquela coisa tirar os dois da cama. Mãe eu to com sono!; Mãe tá cedo; Mãe por que você me acordou mais cedo? Ai eu ri! Ia fazer o que? Chorar ia ficar meio estranho. Expliquei (era pro de 7 anos, então já dá pra esquecer o primata e tratar como gente mesmo)
- Lembra que ontem eu dizia que tava na hora de dormir, que era tarde, que tinha escola hoje?
(grunhidos)
- Então, é por isso, eu já sabia que hoje de manhã ia ser assim. Você está com sono, dormiu menos do que precisava.
(grunhidos)
- mas o Felipe ...
- O Felipe pode dormir na escola, você não.
- Na salinha dele tem uma caminha!
De noite tudo se repete. Ele é mais velho, tem que dormir depois do irmão, mesmo que esteja caindo de sono (a lógica é uma coisa nessa idade). Mas dessa vez algumas horas mais cedo ;)


É preciso limites, sempre, limites claros. Mas nem todos os limites tem que ser um muro de concreto armado, uma muralha. Alguns podem estar delimitados com uma cerca de arame, que dobram um pouco. Afinal, ir pra cama sem banho não é tão grave assim, ver um filme até tarde numa sexta também não. Mas tem que lavar os pés, escovar os dentes e trocar a cueca antes de ir pra cama. Agora, dormiu no carro depois da festa de aniversário no sitio, vai pra cama imundo mesmo que nesse dia quem ganhou o presente fui eu!

terça-feira, 12 de março de 2013

Blogosfera, aqui me tens de regresso!



Aqui na Argentina as férias de verão são de dois meses e este ano aproveitamos bem o tempo para viajar. Nem bem as aulas acabaram fomos a Santiago, voltamos para passar o Natal em casa e para o Ano Novo já estávamos em San Luís, depois com os meninos fui para Fortaleza (no caminho passamos dois dias em Baires) e quando voltei pegamos a estrada rumo a Patagônia (argentina e chilena) e percorremos 3.500 quilômetros até estarmos de volta em casa. Quando tudo terminou estávamos exaustos, física e mentalmente e com as aulas começando poucos dias depois da nossa volta arrumar as coisas ficou em segundo plano, assim que as malas ficaram passeando pelo apartamento e muitas das coisas da viagem a Santiago só encontraram seu lugar agora.


Somos uma família que adora um “passeio”, mas quando parei para pensar me dei conta que entre uma viagem e outra não houve sequer um intervalo de uma semana, só mesmo o tempo de lavar e passar a roupa para que ela voltasse logo para as malas rumo ao novo destino. In between teve meu aniversário, a formatura do Guilherme do jardim, o Natal, Ano Novo, a ida ao Brasil foi para acompanhar uma cirurgia do meu pai e para finalizar ficamos uns dias extras no Chile por conta de enchentes e deslizamentos na cordilheira do lado argentino, por que do lado chileno os famosos caracóis estao passando uma uma gigantesca obra e até o outono está habilidade apenas uma faixa, o que significa que tem horário para ir e para voltar


Então, para marcar a volta do blog vamos começar do começo: a viagem para Santiago!
Está foi uma viagem diferente, o objetivo não era pura e simplesmente o turismo, claro que aproveitamos para conhecer alguns lugares que nunca havíamos ido, mas fomos mesmo foi de compras. Depois de muito pesquisar, ver a lista de presentes de Natal e algumas coisas que queríamos ou precisávamos comprar, ficou claro que mesmo com impostos, a gasolina e o hotel comprar no Chile, no nosso caso, representaria uma grande economia. Foi assim, que depois de tantas idas ao pais transandino, finalmente conheci os outlets de Quilicura que estavam cheios de argentinos e brasileiros, mas essa visita vai ficar fora do relato por que foi bem burocrática e para dar dicas de como e onde comprar em outlets já cheio de gente muito mais experiente do que eu falando sobre o tema internet a fora. Foi lá que o Guilherme descobriu por que ninguém toma fanta laranja no café da manha e depois come cheetos (algumas licoes precisam da parte prática para o menino entender).



Uma viagem assim é bem aborrecida para as crianças, até para as mais pacientes. Assim que em dois momentos o dia foi dedicado a elas. O primeiro foi quando fomos conhecer Kidzania, o relato completo no Site Maes Internacionais. O outro foi quando fomos para Los Dominicos, na verdade a Pueblito Los Dominicos, esse passeio foi 50/50, por que eu aproveitei para ver artesanato (que ADORO) e depois os meninos se esbaldaram na pracinha. O “pueblito” é uma pequena vila onde os artesãos fabricam, expõe e vendem suas obras. Além de artesanato é possível ver antiguidades e até animais (essa foi a parte favorita do Guilherme, já eu fiquei meio triste de ver o bichinhos enjaulados para vender). A feira fica do lado da Igreja de São Vicente Ferrer, que parece ser um lugar muito interessante, mas justo dia que fomos estava fechada. Em vários guias o lugar aparece como a melhor opção para comprar lembracinhas e artesanato típico chileno, é sim mais barato que o Patio Bellavista, mas há coisas caras. Antes de subir no carro e voltar para o apart, os meninos brincaram numa praca justo em frente, além do parquinho há uma área com aparelhos de ginástica para adultos. O lugar estava limpo e os equipamentos e brinquedos em excelente estado. Difícil foi convencer que estava na hora de ir embora.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Teias de aranha

Gente! Tem dois meses que não escrevo aqui! Quanto descaso!
A causa é justa, mas não justifica como diria um antigo chefe.
Vou ali terminar de organizar as coisas, arrumar a casa para duas visitas, terminar o curso (razão pela qual meio que ando offline) e me preparar para as férias de verão, por aqui as aulas acabam dia 14 de dezembro!!!
O lado bom é que tenho posts quase pronto esperando por fotos.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Blogagem Coletiva: Paternidade ativa em Mendoza (ARG)

Ontem foi dia de Blogagem Coletiva das Mães Internacionais, mas com a meu dia tomado pelo Felipe, a casa e um curso que estou fazendo tive que deixar de lado algumas coisas e a Internet foi sacrificada, mas com o post rascunhado na minha cabeça durante uma mamada e outra da madrugada, encontrei um tempo para colocar no "papel".


Nos fóruns maternos este é um tema que sempre surge e ao longo de mais de 6 anos de "maternosfera" já vi de tudo, inclusive mãe que não deixa o pai cuidar dos filhos por que ele não faz as coisas exatamente do jeito dela! Eu sei, eu sei , toda mãe quer corrigir quando vê alguém fazendo as coisas diferentes com os filhos, mas daí a não deixar são outros quinhentos. A verdade é que na minha geração as mulheres foram educadas para serem independentes, trabalharem e junto com isso formar um família, mas os homens não foram educados a participar da vida domestica, da vida dos filhos, ainda foram educados para serem provedores materiais da família.

Pelo que vejo aqui em Mendoza, as coisas não são muito diferentes do Brasil. No nosso grupo de amigos há exemplos bem variados e para mim o exemplo que melhor mostra a mentalidade dominante aqui é este: os pais de um amigo convidaram o Guilherme para o cinema, quando passaram aqui para pegá-lo perguntei se iam ir os dois (a mãe tinha sido operada uns 10 dias antes) e sim, vamos os dois e foram. Mas ela não se sentia bem e decidiram levar os meninos para a casa deles depois do filme. O pai seguiu com sua programação normal e foi para um passeio de bicicleta e deixa a esposa (que não se sentia bem) com dois capetinhas. Eu só descobri isso quando trouxeram o Guilherme e perguntei ao pai como ele havia se comportado. Apesar de ser o pensamento dominante, muitos não são assim, uma amiga convidou as mães e os filhos para um chá um sábado a tarde e a função do marido era entreter as crianças pra gente conversar. Outra vez, num almoço aqui em casa, quando chegou a hora da soneca do irmão menor de um dos amigos do Guilherme o pai foi com ele pro sofá e vez ele dormir e ficou lá com ele, por mais de uma hora, até ele acordar.

Aqui é papel da mãe levar as crianças pros aniversários, se ela não pode ir em geral as crianças não vão e pronto. Agora, como são um pouco maiores, uma pede a outra para cuidar do filho se não pode ir, mas é raro o pai ir, muito raro mesmo. As vezes, o pai entra acanhado, entrega a criança e depois passa para pegar. Quando chegamos aqui, eu fazia questão de levar o João para as festinhas comigo, em parte para me fazer companhia caso o ambiente fosse menos amistoso e assim fomos, os dois, conhecendo as famílias dos colegas de escola do Guilherme, com o tempo ficamos amigos dos pais e no aniversário do Guilherme três pais levaram seus filhos a festa, um recorde!



Uma coisa bem comum por aqui são os programas pai e filho. Não é raro rolar um acampamento  ou passeios de bicicleta, bem ao estilo Clube do Bolinha. Com as meninas também rola algo assim, mas isso não me pertence. No consultório do pediatra vejo que ambos os pais que vão com bebês, depois são normalmente as mães e entre os pre adolescente não é raro ver o pai acompanhando, mas pelo que contam as que já passaram por isso dizem que nos hospitais normalmente as crianças ficam com as mães.

Aos poucos vejo as coisas mudando a impressão que eu tenho é que as coisas começam a mudar com aqueles que não podem pagar uma empregada/ babá ou preferem gastar esse dinheiro com outras coisas. Realmente espero que a geração do Guilherme e do Felipe percebam que pai não tem que ajudar, tem que participar, ninguém nasce sabendo e é tão bom aprender e descobrir juntos.

Para ler como é a Paternidade Ativa em outros países, clique aqui

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Uma casa acessível

Há alguns anos fui visitar uma amiga dos tempos da faculdade que tinha tido gêmeas, duas meninas lindas que naquele momento nem sentavam. Eu levei o Guilherme um menino que andava e mexia em tudo. Em certo momento da visita ela me perguntou como eu tinha feito em casa para que o Guilherme não quebrasse tudo. A verdade é que muito pouco mudou na decoração da casa com a chegada do Guilherme (e do Felipe), nunca gostei de tampos de vidro (eu mesma quebrei mais de um) e apesar de gostar de um bibelô a maioria já ficava fora do alcance das crianças. O que fizemos foi por travas nas portas dos armários onde ficavam as louças e as bebidas e colocamos aquela portinha para impedir o acesso a cozinha e área de serviço, muito mais pela areia dos gatos e a ração do que outra coisa. Não era o caso da casa dessa amiga, ela tinha prateleiras de vidro por toda parte e praticamente tudo que um dia estaria ao alcance das meninas era quebrável. A sogra dela (por que sempre a sogra?) disse que era besteira, que ela nunca tinha mudado nada de lugar e os filhos dela nunca quebraram nada. Como ela fez nunca lembrei de perguntar, até por que pouco tempo depois a família se mudou para um apartamento maior e por mais que sempre nos vejamos quando vou a Fortaleza, nunca mais fui a casa dela.
Particularmente, não entendo a resistência que algumas pessoas tem em adaptar a casa para as crianças, afinal, a casa não é o lar delas também? Por que essa neura de apagar os vestígios de que há crianças? Obvio que as vezes cansa ver brinquedos para todos os lado, pior ainda quando pisamos num bloco de lego esquecido (ai!) ou escorregamos num carrinho (ui!). Aqui em casa tudo que está ao alcance dos meninos são coisas que eles podem pegar sem se machucar, nem sempre são coisas deles e as vezes são coisas que estragam, mas ainda assim são seguras e claro, os brinquedos estão sempre ao alcance deles. Para mim isso é natural, afinal a casa é deles também.
A questão agora é que temos em casa brinquedos que não são seguros para o Felipe e não consigo pensar em uma solução justa para o problema sempre tem algo de conflito. Explico: o ideal seria ensinar aos dois que devem respeitar um os brinquedos do outro, mas até lá tem muito chão e se por um lado, não é fácil fazer um bebê de quase um ano entender certas regras, por outro nem sempre é fácil fazer um menino de 6 anos entender que para o irmão aprender a respeitar os brinquedos dele, ele primeiro precisa respeitar os dele, mesmo que os brinquedos em questão já tenham sido dele. Baby steps, baby steps! Até lá haja "Mãe! Tira o Felipe daqui"
E assim vão passando os dias, uma hora penso em transformar o quarto de hospedes em quarto de brinquedos, outra hora penso em fazer isso no familyroom e mandar o computador pro quarto, outras não por os dois no mesmo quarto e acabar com o quarto de hospedes ... em breve Guilherme vai precisar de um lugar para estudar.