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domingo, 17 de outubro de 2010

e o Guilherme, como está?


Quem acompanhou mais de perto sabe que Guilherme não estava nada feliz com a mudança de Cabo Verde. A primeira reação dele, quando falamos que iamos mudar de novo, foi de entusiamo e sempre que ficava com raiva de algum amiguinho dizia logo que ia embora e nunca mais queria vê-lo. Mas isso durou pouco, depois veio a fase mais longa e difícil de administrar, a do eu não quero ir. Ele sempre deixou bem claro que queria mesmo era ficar em Praia, com os amigos de lá Ai, começaram as birras, daquelas de cinema. Por sorte os "ataques" eram dirigidos ao João e a mim, mas podiam acontecer em qualquer lugar e sem aviso prévio. Quando finalmente comecei a guardar os brinquedos a coisa complicou. No meio da confusão que é uma mudança tinhamos que encontrar paciência e explicar pela N'essima vez a nossa vida de cigano. Meus sentimentos passaram a ser os deles, me partia o coração ver que ele sabia exatamente o que estava acontecendo e ainda mais quando tinha que explicar que ia demorar algum tempo ate ele rever os amigos, eu também sentia saudades antecipadas dos meus amigos.
A nossa passagem pelo Brasil não sei se ajudou ou atrapalhou o processo. Se por um lado ele ganhou os mimos dos avós e tias, por outro ele precisava de algo mais permamente, quando deixamos o Brasil ja estavamos vivendo das malas tinha três semanas. Dai para frente tudo era novidade para ele.
Nosso primeiro mês em Mendoza foi dividido entre o hotel e a casa de minha tia, onde os gatos ficaram hospedados. Tudo estava distribuido entre os dois lugares, afinal, o quarto do hotel era apertado para as nossas cinco malas. Em meio a isso tudo Guilherme começou na escola e nosso pequeno percebeu que nossa vida agora é aqui.
Por falar em escola, o Guilherme adora a escola, nunca antes ele chegou em casa contando o que fazia na escola, ou cantando as músicas, falando dos amiguinhos, da professora. Acordar de manhaã ainda e um problema, mas devagarinho ele vai ... As palavreas em espanhol começam a aparecer e ele adora repertir chiquitito. Assim como quando começou a falar criolo, sabe bem a quem se dirigir com que idioma, tem momentosem  que eu escuto ele repetir palavreas aleatórias em espanhol, principalmente os números (uno, dos, tres, cuatro, cinco ...), as vezes são animais, de manhã quando o visto vai repetindo o nome das peças de roupa em espanhol. A TV passa boa parte do dia liga, sempre em espanhol, e ele pergunta o que não entende e eu explico, tem horas que a TV ajuda.
A noite, na hora de dormir, conversamos, quase sempre ele pergunta pelos amigos, Catarina, Rafa, Karim, Matheus, Anna ... vou contando o que eles estão fazendo (viva a internet e o facebook!) pergunta quando vem visitar (ALÔ Marta, Sofia, Adriana ...), quando vê um yorkshire pergunta pelo Yuki. Assim a vida dele vai ganhando nova prespectiva. O xixi na cama voltou e ainda não foi embora, ele tem comido bem menos (já comia pouco) e está ainda mais seletivo. Não é fácil, ninguém jamais me disse que seria, queria muito localizar mais blogs que falassem mais sobre isso de forma honesta, sem medo de tornar publicas as dificuldades.
Já temos uma rotina estabelecida, mas a casa ainda está vazia, apenas o básico para comer e dormir. Ele sente falta das suas coisas de se identificar com o lugar. Em meio a tudo isso ele vai crescendo e amadurecendo. Já aceita ser chamado de Guille e por vezes nem reclama do Guillermo, mas sabe bem que seu nome é GUILHERME. Outro dia, fomos jantar com amigos que estavam por aqui de passagem e o Guilherme ficou muito contente em rever o filho deles, tão feliz, que correu para a prateleira de livros e escolheu dois dos seus livros para dar ao Hugo para a viagem de avião. No jantar, o Guilherme recebeu um presente e na mesma hora correu para a minha bolsa para pegar os dois livros. Ficou tão feliz meu filho e eu, orgulhosa. Finalmente, os anos falando sobre a importância de dividir estão se pagando e ele agora faz as coisas naturalmente, sem se sentir coagido pelo olhar reprovador dos pais ou obrigado, o que é ainda pior. À todos que chegam aqui em casa ele mostra as suas plantinhas e feliz fala que foi ele quem plantou.

* hoje é o dia das mães aqui na Argentina e decidi que era o dia ideal para falar do meu filho, afinal, sem ele não seria mãe. Outra hora eu volto para falar da festa na escola.

15 comentários:

Paloma, a mãe disse...

Pois para mim vc tem o blog que fala as coisas destas mudanças de país sem romantizar tudo. Tem horas boas e horas ruins, né? É bom pra eu ir me preparando...
Beijos

Neda disse...

Obrigada! Tenho muito cuidado para não fazer com que tudo seja um mar de rosas, por que não é. Mas sindo falta de ler o relato de outros pais que passam ou passaram pelo mesmo que estamos passando, assim como você fala tão bem sobre a vida de mãe. Mas vou encontrar.
Bjs

Clarissa disse...

Ainda nem li o post, mas vou responder a pergunta: a julgar pela foto, o Guilherme está lindo como sempre ;o)
Beijos a todos!!!

Clarissa disse...

Feliz dia das mães :o)f

Claudia disse...

Neda, existe um blog muito interessante de uma brasileira casada com um croata e que tem um filho na idade do Guilherme. Eles moram em Vancouver.
Ela fala bastante do aprendizado da língua (das línguas, na verdade), da escola, amigos, etc...
Não é, exatamente, o mesmo caso, já que eles não se mudam como vcs, mas já é alguma coisa.
O ruim é que a autora do blog não colocou nenhum post novo desde fevereiro.
http://flaviamandic.blogspot.com/

Neda disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Neda disse...

Claudia, é uma pena mesmo que a Flávia parou de blogar. O Iglu era uma fonte de inspiração quando o G nasceu.
bjs

Sofia Fonseca disse...

Oi Neda
Tao bom ter noticias vossas e ainda mais do nosso Guilherme o brasileiro :)
Viajar até Mendonza está complicado por enquanto, mas mais cedo ou mais tarde ainda no vemos
Aqui volta e meia voces sao falados, ou alguem que comenta que teve um novidade de vcs, ou a Catarina que de repente jura que sentiu-vos no parque LOL
Hj Salim estava com a tshirt azul de um caozinho que G vestia muito. Deu para ver como Salim cresceu e sentir saudades do G

Bjos bjos
SDKS

Sofia Fonseca disse...

Quanto ao apetite do G, acho que não deves ser muito exigente nesta fase. A adaptação não é facil para adultos imagina criança. Insiste, mas dês de que se alimente, temos muitos anos ainda para continuar a ensinar os bons hábitos. Faz coisinhas boas que eles não conseguem resistir ;)

Avassaladora disse...

Neda,
as crianças nos surpreendem, eles se adaptam muito mais rápido.

Neda disse...

Flavia,
Infelizmente, com o Guilherme não é assim não. Mas sei que em breve tudo estará bem, pra sempre não vai durar.

Sofia, sodade de bo familia!
Tenho feito assim, algumas coisas vão ficar pra depois, com calma. A rotina de casa está sendo alterada para que o jantar passe a ser a principal refeição e seja em família. Tenho deixado ele escolher o que quer comer, inclusive levo ao mercado para que a escolha seja bem abrangente.

Bjs

Flavia disse...

Neda,

a gente tem sempre a mania de achar que os pequenos se adaptam fácil, que aprendem rápido, que não entendem tanto, tantos sentimentos. Mas a verdade é que eles tambem demoram pra se adaptar, tambem tem saudades e necessitam o tempo deles pra tantos aprendizados diarios.
Tempo ao tempo, e ele aos poucos vai se adaptando, vai encontrando "a gusto" com o novo hogar.
Parabéns por conduzir as mudanças na vida do pequeno com tanta sensibilidade.

beijo

Neda disse...

Flavia, antes de mais nada, obrigada. É o que mais me preocupa na vida que João e eu decidimos que nossa família levaria. Conheço alguns filhos de servidores do MRE que detestam a vida que levam ou levavam com os pais. Eu acredito que, conduzindo de forma adequada, estou ensinando muitas coisas ao Guilherme. Não é só um idioma, uma cultura, mas respeito, tolerância, resiliência, empatia ... Espero que quando ele for grande o suficiente para decidir, escolha nos acompanhar (na medida do possível). Claro que pago um preço por isso, a cama ainda amanhece molhada, as birras (se bem que depois de um papo sério, diminuiram), a alimentação é um problema (a cada viagem ele fica mais restritivo), fora o meu lado, como eu me sinto no fim do dia, e ainda tem o pai também.
Beijos

nivon disse...

Amiga Neda (adivinha quem te chama assim), estou espiando seu blog e adorei esse seu post. Acho que não passa um dia que não tenhamos saudade de vocês. Adorei os comentários do milherme. E feliz dias das madres. Gran beso a los todos (portunhol danado).

Neda disse...

Nivon! Coisa boa sua visita a minha casa virtual, aqui é que nem a casa de verdade, pode vir sem avisar, só não dá pra emprestar aquela xicara de açúcar. Lembramos de vocês todos os dias também, os amigos fazem uma falta danada.
Bjs