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terça-feira, 30 de junho de 2009

Palmada educativa? Como?

Não imaginava que o tema palmada fosse surgir nos comentários no post "Guilherme no mundo da lua e as desventuras em série". Era um tema que eu vinha elaborando para escrever aqui, mas sempre achava que o texto não fazia juz a sua importancia.
Antes do Guilherme nascer eu não via nada de mais em umas palmadas, achava que deixar chorando pra dormir era válido e que o nottyspot era a melhor idéia de todos os tempos! Eu levei minha boa parcela de palmadas e puxões de orelha e não tenho trauma nenhum relacionado a isso. Mas, hoje, não saberia dizer se mereci todas as palmadas, também não acho que fui menos "danada" por causa delas. Afinal, qual a traquinagem que merece palmada? Qual o limite da palmada? Existe uma tabela de gradução, a "infração" X correponde a tantos tapas na bunda? Quando a palmada vira surra?
Para mim, a punição física, é o apice de irracionalidade de qualquer pai, é o atestado da mais completa falta de controle, não sobre o filho, mas sobre a propria incapacidade de argumentar (eu sei que cansa, acabei de falar sobre isso) e de impor limites sem usar da força física. O mais leves dos tapas (que no meu caso jamais seriam leves, tenho a mão pesada pacas) no corpo do Guilherme seria uma brutalidade. Dá o maior trabalho ensinar que é feio bater nas outras crianças, que não se deve morder, que é preciso respeitar os menores. Mas o que eu ensino batendo?
Detesto quando escuto comentários do tipo: "titia vai dar umas palmadas se o Gui fizer isso", Como é que é? Ou quando vejo dar tapinhas nas mãos para deixar de mexer nas coisas. Já tirei o Guilherme do colo de uma pessoa que fez isso na mesma hora que ela iniciou o movimento de dar o tapa, na época ele tinha 5 meses. Aqui em Cabo Verde, a palmada é uma prática comum, vejo até empregadas distribuindo tapinhas nas mãos e na bunda dos miúdos. Fico passada! Em Cabo Verde não há lei que proiba os castigos físicos em casa nem nas escolas. Eu pentelhei mesmo pra saber se a escola onde o Guilherme estava não batia. Lá, eles usam o cantinho da disciplina, banalizavam o nottyspot de tal maneira que eu creio que perdeu completamente qualquer efetividade (se é que é efetivo) nas casas de todos os alunos.
Atualmente, qualquer um de nós, fica admirado que um dia, nas escolas, os alunos era humilhados na frente dos colegas e submetidos a castigos físicos, a palmatória era que mantinha a ordem na sala de aula, ou os carroços de milho. Hoje em dia há leis que proibem esse tipo de conduta. E por que em casa seria diferente? Por que tanta gente acha que é um absurdo haver um projeto de lei proibindo a palmada?
Mas então, o que fazer? O primeiro passo é ter consciencia de que vai dar trabalho, principalmente no começo, mas com muita paciência é possível sim fazer.
Aqui vão algumas dicas:

* Demonstre o que eles devem fazer. E não apenas o que não devem.
* Explique suas verdadeiras razões. 'Porque eu estou dizendo' não ensina nada.
* É importante dizer sim.
* Elogie o bom comportamento e repreenda o inadequado.
* Apóie-se em recompensas como abraços e brincadeiras, e não em punições como tapas e gritos.
* Ignore pequenas bobagens. Quanto mais você ralhar, menos será ouvida.
* Quando as crianças fazem alguma coisa errada, explique-lhes como podem consertá-la.
* Mesmo que você não aprecie o comportamento do seu filho, nunca sugira que você não gosta dele.


Até onde pude averiguar, todos os livros modernos sobre educação dos filhos são contra as palmadas. TODOS. A Super Nanny, com todas as suas regras condena, todos condenam. Então, se bater o desespero, corra até a livraria e escolha um livro. O Besame Mucho, do Dr. Carlos González, é um excelente começo, mas tem uma montanha de livros a disposição que podem ajudar.


Hoje li uma frase que resume bem a questão da palmada: Bater é fácil: resolve o seu problema na hora. Educar é difícil, leva uma vida.

8 comentários:

Eulalia disse...

Concordo em tudo com você! Não lembro das palmadas, mas de uma "tentativa" de agressão física na minha infância (porque corria mais depressa e não conseguiram me pegar)... risos! Enfim, a lição ficou para sempre ( o conteúdo pragmático, risos!), mas a sensação de angústia também. Mal posso falar isso para minha mãe que ela morre de culpa! Risos!
Enfim, sou contra agressão, absolutamente. E a favor das formas lúdicas de educar... Mas só vou saber mesmo na prática, né cumadi?Hei, quando você vai me ajudar a montar o meu blog?

Paloma, a mãe disse...

Menina, bater a gente não bate, mas tudo aqui é na base do "se vc não fizer isso, não vai ter aquilo", ou seja, na base da ameaça.
Tá, tudo não,mas quando ela começa a fazer birra, não tem jeito (ou eu não conheço outro). Estamos sempre nesta relação de causa e efeito e tem funcionado no nosso caso. Porque acho que a função do filho é mesmo contestar os pais. Eles estão buscando alguma autonomia/ independência com isso. Estão crescendo, enfim.

Ademar Oliveira de Lima disse...

Estive por aqui para conhecer o seu trabalho no blog! Abraços Ademar!!dlyra

Helga disse...

Sobre este assunto há o amplamente discutido no blog Vancouver, da Flávia, em: http://flaviamandic.blogspot.com/2008/11/bater-em-criana-covardia-campanha.html

e a discussão foi tão boa que baseado num dos comentários surgiu o outro post:

http://flaviamandic.blogspot.com/2008/11/sal-do-iglu.html

Ainda naõ sei como fazer na hora, mas quanto mais o assunto for discutido melhor.

Neda disse...

Helga
Ano passado, quando falei sobre o tema você também comentou https://www.blogger.com/comment.g?blogID=871239792330687216&postID=5226072936826075173.
A Flávia e eu pertencemos ao mesmo grupo de pais e de vez enquando tratamos de determinados assuntos em nossos blogs na forma de blogagem coletiva. Assim como nós a um mundo de outras mães e pais que blogam sobre o tema.

Helga disse...

Poizé, mas já que a senhora está tratando do tema novamente é sempre bom pra outras pessoas lerem outras discussões sobre o tema também. ^^

Neda disse...

Sim, sim, é mais para contextualizar.

A de Aurélia disse...

Obrigada pelo comentário no meu blog.
Vamos nos comunicar por e-mail?
Abç
Aurélia
adeaurelia@hotmail.com