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segunda-feira, 18 de junho de 2007

Quem parte deixa saudade

Ele chegou sem aviso prévio, no dia 06 de dezembro de 1995. Uma conhecida da minha mãe ligou oferecendo filhotes de pastor alemão, lembrou que morávamos em casa e que um cachorro grande podia ajudar na segurança. A decisão foi muito rápida e todos prometeram ajudar e assim fomos buscar o filhote.

Da ninhada haviam dois, uma com o rosto todo preto e outro com uma mancha amarela e uma cicatriz no focinho. Ele assim que nos viu, do outro lado da porta de vidro, dobrou a cabecinha para o lado e nos conquistou. Lembro como se fosse hoje, mami, Laila e eu descendo com o cachorro nos braços no elevador, para evitar a sujeira colocaram um saco de supermercado como se fosse fralda. Feliz voltamos para casa! Na primeira noite dele em casa não dormimos, uma choradeira danada, mas foi só.

Quem escolheu o nome foi mami, na hora do almoço entre piadas de que o cachorro deveria se chamar cachaça ou caipirinha, veio a sugestão aceita por todos, Wiskey! Naquele ano preste vestibular e ele, muito satisfeito, ia passear no banco traseiro da Brasília, em cima de uma tolha.

Filhote, destruiu alguns sapatos e chinelas, e adorava fugir com meias na boca. Era uma graça como corria com as orelhas dobradas para se esconder e chupar a meia. Também deu, o danado do cachorro para prender a cabeça na grade e não saiu de jeito nenhum, manteiga, hidratante, óleo, quanto mais tentávamos pior ia ficando. A solução foi chamar os bombeiros, daddy desconfiava dessa história e achava que não ia aparecer ninguém, mas eles vieram e com a ajuda de um desencarcerador arrebentaram a grade e salvaram Whiskey, foi uma festa. Até hoje a grade ta meio torta, dá um trabalho dando pra fechar, um jeitinho. Como chorei naquela noite.

Também lembro das tentativas de banho, uma alegria só, mas que nunca tinha o efeito desejado por que o danado não fica no sol para secar, preferia a sombra. Então os banhos passaram a ser dados na clínica. Ele curtia os passeios, mas o contato com outros cães trouxe sarna, carrapato ... mas é assim mesmo.

Mas a idade chega para todos, e este ano foi descoberto um tumor enorme na próstata. Por conta da idade, a essa altura um senhor com 10 anos, não valia a pena operar. A recomendação da veterinária foi de fazer as suas vontades. E assim foi feito, biscoitos especiais, comida caseira, o cão que um dia foi pesado e gordo foi ficando magrinho e a pelagem farta, mais rala. Por conta de uma sarna crônica, não entrava mais em casa, ficava no terraço. Todas as noites o compromisso familiar era sentar em volta da mesa do terraço e conversar enquanto mami dava a comida.

O cão de guarda cumpriu sua função também. Atacou até um conhecido! Segundo os vigias da rua, seus latidos espantaram mais de um que tentou pular o muro de casa. Poucas vezes saiu de casa, daddy tinha medo que fugisse e atacasse alguém, penso que não, mas ... Mas ele era um cão de casa, de dentro de casa. Seu Chico, um jardineiro que andou lá por casa, dizia que ele era um cachorro criado na cerâmica, com muita mordomia.

Hoje ele não se levantou mais, nem o leite, sagrado de todas as manhã quis tomar... em uma maca levaram meu Whiskey querido e eu nem pude me despedir de perto, in a proper way. Depois soube que ele teve um AVC.

Quando o então ministro Magri disse que o cachorro era um ser humano como outro qualquer não mentia. A dor quando eles partem é a mesma, eles fazem parte de nossas vidas como qualquer outra pessoa e o carinho irrestrito que nos dedicam faz falta.

Um comentário:

Laila disse...

ow irman... :~~